segunda-feira, 5 de março de 2012

O ESTRANHO MUNDO DE JETT

Como na maioria dos antigos contos de fadas esta história começa numa terra distante. Lá viviam pessoas estranhas. Tão esquisitas que andavam em fila numa velocidade media de 2,3 km/h para não haver nenhuma colisão que pudesse afetar o tornozelo e adjacentes.

Dirigir só a menos de 35 km/h. Principalmente depois que um andarilho contou sobre um chocante documentário sobre os perigos da direção. É claro que essas pessoas também pagavam seus impostos (taxas altas) fielmente na sexta-feira, para não haver o problema de alguém ter dinheiro suficiente para criar "baderna" no final de semana.

Falar o que pensa? Nem pensar. Certa vez, um protestou. Escreveu no quadro negro de sua sala de aula: "Somos jovens, jovens, jovens. Somos do exercito, do exercito do Surf". O cara sofreu severas punições.

Neste mundo certinho existia uma garota chamada Joana Jeti. Ela seguia todas as regras, como todos os outros. Levantava cedo, arrumava a cama, tomava café da manhã, pegava o ônibus escolar, assistia as aulas do período da manhã, almoçava, assistia as do período da tarde, pegava o ônibus escolar, voltava pra casa, tomava banho, penteava o cabelo para o lado, ia pra igreja com a família, rezava, rezava, rezava e rezava, voltava para casa, assistia ao programa Xaveco - uma espécie de Malhação, mas muito mais conservador, tomava leite quente e finalmente ia dormir, geralmente por volta das 21h30. Essa era sua rotina diária. Todos os dias a mesma coisa.

Uma vez por mês toda família de Joana saia para comprar roupas. Para irmãozinho sempre camisas de seda, da cor azul bebê. A mãe era fã de um belo avental. O pai só nas gravatas. E Joana nunca se viu sem um vestido rodado rosa. Mas, desta vez foi diferente



Joana avistou um artefato impróprio: uma jaqueta de couro. Ela se apaixonou à primeira vista. Implorou por horas, até que o pai e mãe cederam:

- Pode dar meu bem. Ela nunca vai usar essa tralha mesmo. Vai morrer de vergonha ao sair na rua vestida com isso! - praguejou a megera da mãe.

Por alguns dias aquela jaqueta ficou pendurada no quarto de Joana. E sua vida seguia da mesma forma. Da mesma forma. Da mesma forma. Da mesma forma.

Até que um dia...

Ela resolveu detonar a porra do sistema!!! Jogou o vestidinho fora, soltou e cortou os cabelos, pintou as unhas de preto, colocou colares, pintou o rosto e colocou a jaqueta de couro. Saiu enlouquecida pela cidade no carro do pai e entrou numa loja de instrumentos. Comprou um amplificador, uma guitarra e um microfone. E saiu a gritar (este é o momento que você, leitor, coloca o volume no talo e pira o cabeção):



Ela nunca mais foi Joana Jeti. Passou a assinar Joan Jett! E a terra distante também nunca mais foi a mesma.


O Fim.

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